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Brasil 5G

Prevista para 2019, a quinta geração da internet vai mudar a forma como nos relacionamos com a tecnologia

O Brasil se prepara para a chegada da 5ª geração da internet móvel, mas a sua principal preocupação, e de outros países, é com a frequência que será utilizada. Para garantir que não haja interferências em satélites, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) preparou um estudo que demonstrou a probabilidade técnica de usar a faixa de 26 GHz, que tem a extensão 24,25 GHz a 27,5 GHz, para a próxima geração de telefonia móvel. 

O estudo foi apresentado durante um dos maiores eventos de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) da América Latina, o “Futurecom 2017”, realizado entre 02 e 05 de outubro, em São Paulo. Nele, a Anatel confirma que a 5G, se fosse implantada na faixa de 27,5 GHz, não causaria interferência na transmissão por satélite, um problema que preocupava países como a Rússia.  Como a tecnologia será fundamental para o desenvolvimento da Internet das Coisas (IoT), dentro da banda larga móvel, é importante que haja uma harmonização nas bandas de espectro que serão atribuídas aos serviços 5G.

A 5G Americas, associação setorial e voz da 5G e LTE nas Américas, anunciou, no início de novembro, o “Cenário de Espectro para Serviços Móveis”, relatório que descreve o atual cenário em termos de frequência e as necessidades futuras de serviços móveis acima e abaixo de 6 GHz.  No documento, a organização avalia a faixa que será necessária para a prestação de vários serviços móveis em distintos casos de uso. Além disso, destaca, também, quais atitudes as agências públicas e organizações de padronização devem adotar para disponibilizar bandas específicas para serviços 5G.

Através desse relatório, a 5G Americas sugere que durante a alocação de espectro os legisladores considerem não somente as frequências nacionais que podem ser alocadas, mas as possibilidades criadas por soluções globais de sintonia de faixas. Isso porque, segundo o documento, a harmonização global de espectro não precisa se limitar à alocação do mesmo espectro para a tecnologia 5G em cada região. Os benefícios da harmonização também podem surgir por meio de soluções como a “faixa de sintonia”, onde bandas próximas ou adjacentes podem ser consideradas harmonizadas se os equipamentos, que utilizam essas bandas, puderem ser reconfigurados para operar em múltiplas frequências.
 

“Em um futuro em que teremos uma Internet das Coisas autônoma e descentralizada, o blockchain poderá ser o arcabouço que dará suporte ao processamento e coordenação das transações entre dispositivos”
Rodrigo Lima Verde Leal, especialista do CPqD


De acordo com os planos estratégicos, inicialmente desenvolvidos para a 5G, que também são abordados no relatório, já existem várias possibilidades para a harmonização global, considerando a “faixa de sintonia” das bandas 3.3-4.2 GHz, 24.25-29.5 GHz e 37-43.5 GHz. “A 5G será implementada em bandas existentes e futuras. Por isso, as agências governamentais devem agir agora e avaliar as medidas necessárias para disponibilizar um volume razoável de espectro licenciado para a implementação dessa tecnologia”, explicou Chris Pearson, presidente da 5G Americas.  

IOT
É importante destacar que o Brasil já apresenta progresso na 5G. Em junho deste ano, através do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC), o país firmou um acordo de cooperação tecnológica com a União Europeia, Estados Unidos, Coréia do Sul, Japão e China, para o desenvolvimento da tecnologia 5G, e que será parte da pesquisa para a padronização e implementação da nova geração de tecnologias móveis. Além disso, o “Projeto 5G Brasil”, assinado em fevereiro deste ano, visa, exatamente, promover a construção do ecossistema da nova geração de serviços móveis. 

Isso porque a tecnologia terá um forte impacto nas economias dos países e, também, no uso das TICs em diferentes setores, como educação, saúde, segurança, bancário e outros. E sendo a internet das coisas (IoT) uma das mais beneficiadas, devido à possibilidade de aumentar o número de dispositivos e artefatos conectados entre si, especialistas acreditam que será a principal opção para avançar em diferentes setores da economia, como agricultura e indústria, assim como para melhorar as condições de vida dos habitantes por meio das cidades digitais e dos serviços de saúde.

Para o gerente geral da ClickSoftware para América Latina, Wagner Tadeu, como resultado desse investimento, o setor de telecomunicações enfrenta alguns dos maiores desafios de sua história. “Ao todo, cada desafio é impulsionado por um fato simples: é uma enorme luta para acompanhar o ritmo insano da proliferação de dados. Com cada novo dispositivo, aplicativo e atualização de recursos, nossas redes, infraestrutura e servidores estão sendo esticados aos seus limites. E a demanda dos consumidores não mostra sinais de desaceleração”, diz.
 

“Cada desafio é impulsionado por um fato simples: é uma enorme luta para acompanhar o ritmo insano da proliferação de dados” 
Wagner Tadeu, gerente geral da ClickSoftware para América Latina


De acordo com o gerente, enquanto analistas discutem se o mundo 5G já está próximo ou pode ser concluído daqui a cinco anos, a atual infraestrutura brasileira de telecomunicações precisa ser reconstruída para acomodar o aumento desenfreado do tráfego dos muitos dispositivos que estão sendo conectados. “À medida que começarem os grandes projetos de infraestrutura, as equipes de serviço em campo também precisarão aumentar”, afirma sobre um dos desafios que o segmento poderá enfrentar no futuro. Abaixo, Wagner Tadeu lista os três desafios que demandarão mais atenção do setor. São eles: 

(01) Equipe
A maioria dos projetos e empregos de Telecom alavanca contratados ou subcontratados. Em uma época em que os trabalhadores dos setores de Telecom e Utilities são escassos, antes, as empresas precisarão de pessoal para os projetos, o que atualmente é típico. 

(02) Despacho
A construção de torres de celulares 5G, provavelmente, exigirá uma estratégia completamente diferente das torres tradicionais. É provável que sejam necessárias milhares de subestações menores, o que significa que o despacho do serviço se tornará exponencialmente mais complexo, uma vez que os técnicos deverão ser enviados para milhares de outros locais em que estão as torres de celulares. Um nível adicional de complexidade das implementações de Internet das Coisas (IoT) também criará a necessidade de melhores estratégias de despacho. Empresas inteligentes de Telecom adotarão a tecnologia de automação de mão de obra móvel para acompanhar essa complexidade.

(03) Regulamentos 
À medida que surjam novos locais com internet sem fio, para acomodar o serviço de rede 5G, regulamentos federais e estaduais, invariavelmente, surgirão para resolver questões de saúde, disputas de propriedade de terra, entre outros. Os prestadores de serviços em campo do setor de Telecom precisam estar atentos aos regulamentos, para não só permanecerem em conformidade legal, como prestar serviços viáveis.

OPERADORAS MÓVEIS 
Segundo dados da “28ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas”, levantados pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), cada habitante do país terá um smartphone até o fim deste ano. Com o avanço da tecnologia dos gráficos, softwares, óculos e fones de ouvido – além do desenvolvimento das aplicações, que proporcionarão novas experiências baseadas em realidade aumentada –, a conexão em 5G é um recurso cada vez mais desejado.

Pensando nisso, as operadoras de telecomunicações já começam a mensurar os investimentos necessários. Um recente relatório da SNS Research indica que as operadoras móveis vão ter de investir mais de US$21 bilhões, por ano, quando tiver início a implementação das tecnologias padronizadas para a 5G. A previsão é de que estes aportes tenham que ser iniciados em 2019. Dados comprovam que ao menos 25 operadoras, em 15 países, já realizam demonstrações de 5G ou participam de testes com a nova tecnologia.

Em relação ao Brasil, a estimativa mais aceita é a de que, em 2020, já comecem a surgir os primeiros aparelhos prontos para a conexão ultrarrápida, prometida pela 5G (de até 20 gigabytes por segundo, contra o máximo de 1 gigabyte por segundo do atual 4G). Na prática, isso deve representar um aumento no uso de recursos como, por exemplo, a realidade aumentada, que exige um fluxo mais alto e constante de dados para funcionar perfeitamente. Discute-se, inclusive, cases da internet residencial sobre as redes de nova geração 5G e não sobre o tradicional Wi-Fi na banda larga fixa.
 

“É imprescindível que seja aprovado, o mais rápido possível, o PLC 79”
Laudálio Veiga Filho, presidente do Futurecom


“É imprescindível que seja aprovado, o mais rápido possível, o PLC 79 [que altera o marco legal de telecomunicações], de modo a criar um ambiente adequado a maiores investimentos e a um novo ciclo de desenvolvimento do nosso setor”, afirma Laudálio Veiga Filho, presidente do Futurecom, evento que levantou pontos de impacto para que a tecnologia chegue aos brasileiros o quanto antes, além de apresentar as grandes mudanças que esta apresentará quando comparada ao 4G.

“Se por um lado a oportunidade de negócio que se apresenta é enorme, por outro, ela traz um grande desafio para as operadoras e provedores de telecomunicações, que precisarão adequar sua estrutura de rede”, pondera Roberto Mangullo, diretor de vendas da divisão wireless da CommScope, no Brasil. Para ele, cada passo que se deu nas tecnologias anteriores e atuais de conectividade, nos últimos anos, demandou a ampliação da largura de banda, maior estabilidade das conexões e ferramentas para garantir a segurança. 

E para continuar atendendo um consumidor ávido por mobilidade e velocidade de conexão, de acordo com Mangullo, serão necessários grandes investimentos em infraestrutura LTE¹, com implementação de novas tecnologias e arquiteturas, como SDN² e NFV³ que, combinadas, podem garantir o rendimento da rede, passando pela adoção de soluções integrais de fibra, como plataforma de convergência de rede e recursos para o gerenciamento automatizado da infraestrutura na camada física. 

“As operadoras de redes móveis também terão que ampliar o número de antenas base stations dentro de suas áreas (o que exige soluções mais sofisticadas para infraestrutura de cabeamento), virtualizar sua infraestrutura, para poder controlar as fileiras de espectro nas redes de 5G, e investir na otimização da rede. Afinal, a importância da relação sinal/ruído, essencial para garantir um serviço de dados sólido, será cada vez maior”, afirma o diretor da CommScope.

MASSA CRÍTICA
A edição 2017 da série “Economia Móvel da GSMA para América Latina e Caribe”, divulgada durante o evento “GSMA Mobile 360 Series - América Latina”, em Bogotá, calcula que as tecnologias e serviços móveis contribuíram com US$260 bilhões para a economia da região em 2016 (5% do PIB4). O relatório observa que a contribuição da mobilidade para as economias regionais tem sido impulsionada pelo rápido crescimento do 4G e da adoção de smartphones.

As operadoras locais devem investir quase US$70 bilhões em suas redes, até o final da década, para expandir a cobertura 4G na região, o que permitirá um uso maior de dados móveis na medida em que os consumidores migrem para as redes de próxima geração”, diz Michael O’Hara, Chief Marketing Officer da GSMA.
 

“Se por um lado a oportunidade de negócio que se apresenta é enorme, por outro, ela traz um grande desafio para as operadoras e provedores...” 
Roberto Mangullo, diretor de vendas da divisão wireless da CommScope, no Brasil


No final de 2016, havia 451 milhões de assinantes móveis únicos5 em toda a América Latina, concentrados em mercados como Brasil (33% do total), México (20%), Argentina (9%) e Colômbia (7%). Cerca de 60 milhões de novos assinantes devem ser adicionados até o final da década, quando mais de três quartos da população da região serão assinantes móveis - mais do que os 70% em 2016.

Os assinantes da região estão migrando rapidamente para dispositivos e redes inteligentes. Os smartphones representaram 59% das conexões na América Latina6, no primeiro semestre de 2017, e está previsto um aumento para 71% do total, em 2020. Entretanto, após um início lento, as redes 4G já atingiram a massa crítica na região, oferecendo cobertura para 70% da população. 
 

“O 4G funciona bem, mas não tão bem quanto nos países desenvolvidos”
Robson Costa, diretor do Grupo Encanto Telecom


Em junho de 2017, as operadoras móveis da América Latina lançaram 108 redes 4G, em 45 mercados. O 4G está a caminho de representar 42% das conexões até 2020, aproximando-se da média global. As primeiras redes 5G comerciais da região devem ser ativadas em 2020, sendo que está previsto o fornecimento de cobertura para 50% da população até 2025.

Percentual de assinantes móveis concentrados em países da América Latina 
Brasil (33%)
México (20%)
Argentina (9%) 
Colômbia (7%)


Para Robson Costa, diretor do Grupo Encanto Telecom, a telefonia no Brasil está se modernizando e é inegável a melhoria de infraestrutura vista nas grandes metrópoles, com o 4G, a popularização da fibra, os links a rádio etc. Porém, ele diz que ainda há muito o que melhorar e entender sobre essa conscientização do consumo. “O 4G funciona bem, mas não tão bem quanto nos países desenvolvidos, justamente pelo investimento na infraestrutura de conexões ter sido menor do que, de fato, deveria”, avalia.

Para 2018, com a introdução da 5G, a implementação de novas tecnologias e protocolos nas transmissões de dados e afins, Costa acredita que a experiência do usuário deve melhorar, mas sem nenhum grande salto no déficit, como em grandes países. “Para as operadoras médias e pequenas, isso significa uma grande mudança de paradigma: entender que a telefonia não é mais o foco, que passa a ser os fins para os quais ela trabalha: comunicação assertiva e geração de canal de atendimento ao cliente”, supõe.
 

“Precisamos entender que o 5G não é uma revolução, e, sim, uma evolução na oferta de conexão da internet” 
Gabriela de Godoy, co-fundadora da plataforma MelhorEscolha.com


Para a co-fundadora da plataforma de comparação de preços MelhorEscolha.com, Gabriela de Godoy, 5G é o termo usado para descrever a próxima geração de redes de dados móveis. E apesar de ser apenas uma evolução natural das redes 4G existentes, a nova tecnologia marcará um ponto de inflexão no futuro das comunicações, trazendo conectividade instantânea de alta potência para bilhões de dispositivos.

“Precisamos entender que o 5G não é uma revolução, e, sim, uma evolução na oferta de conexão da internet. As redes 5G serão integradas com o 4G e com tecnologias de rede alternativas (banda larga fixa), para fornecer conectividade generalizada. Essa tecnologia permitirá conectividade em localidades com múltiplos dispositivos navegando com altas taxas de troca de dados”, assegura.

E apesar de não ter uma data para a chegada da internet 5G ao Brasil, Godoy diz que a “Era 5G” será caracterizada como a Era da conectividade ilimitada para todos e da automatização inteligente, a qual enriquecerá a vida de todos, transformará os processos industriais e mudará o jeito como nos relacionamos com as máquinas. 

1 LTE é acrónimo de Long Term Evolution, em português, significa Evolução de Longo Prazo. Um padrão de redes de comunicações móveis.
2 Software Defined Networking (SDN) é um recurso que permite, ao administrador de rede, usar mecanismos para controlar, personalizar, alterar e gerenciar uma rede.
3 Virtualização das Funções da Rede (NFV do Inglês “Network Functions Virtualization”) é um conceito de arquitetura de rede.
4 A contribuição do PIB inclui contribuição direta do ecossistema móvel (1,0% do PIB); contribuição indireta (0,6%); e melhorias de produtividade (1,8%).
5 Um único assinante móvel representa um indivíduo que pode responder por várias conexões SIM.
6 Havia 675 milhões de conexões (excluindo M2M) na América Latina no final de 2016, com aumento previsto para 771 milhões em 2020.

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