Tecnologia ajuda pequenos negócios a ganhar produtividade no Norte e Nordeste
A digitalização tem ampliado o acesso de microempreendedores a ferramentas capazes de melhorar a gestão, organizar processos e fortalecer a presença digital dos negócios. Recursos voltados ao controle financeiro, atendimento ao cliente e uso de inteligência artificial (IA) vêm sendo incorporados à rotina de pequenos empreendimentos, especialmente em regiões onde o acesso à capacitação tecnológica ainda representa um desafio.O tema ganha relevância em um cenário em que os pequenos negócios respondem por cerca de 97% das empresas brasileiras e por aproximadamente 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, segundo dados do Sebrae e da Receita Federal. Apesar dessa representatividade, a transformação digital ainda avança de forma desigual entre microempreendedores, principalmente aqueles que iniciaram suas atividades de maneira informal.

Imagem: Divulgação
Para aproximar ferramentas digitais da realidade desses empreendedores, o Projeto Negócio Raiz desenvolve ações de capacitação voltadas a jovens de 18 a 35 anos das regiões Norte e Nordeste. A iniciativa já alcançou mais de 1.800 participantes e utiliza o WhatsApp como canal de formação para ampliar o alcance das atividades em diferentes territórios.
Segundo Sidnei Pereira, responsável pelo relacionamento com empreendedores da Aliança Empreendedora, a tecnologia pode contribuir tanto para a gestão quanto para o acesso ao conhecimento. “No Negócio Raiz, aproximamos esse conhecimento da realidade de quem empreende, mostrando como ferramentas digitais podem ser aliadas de produtos e negócios que valorizam as tradições locais, a cultura e o cuidado com o meio ambiente”, afirma.
Além da organização de processos, especialistas envolvidos no projeto apontam que a tecnologia pode ajudar a reduzir tarefas repetitivas e ampliar a capacidade de análise dos empreendedores. Com informações sobre vendas, estoque e custos centralizadas em plataformas digitais, torna-se mais fácil acompanhar o desempenho do negócio e tomar decisões com base em dados.
Nesse contexto, ferramentas de inteligência artificial começam a ser utilizadas como apoio à gestão. Segundo Juvenal Coelho da Fonseca, especialista em inovação e facilitador da iniciativa, a tecnologia pode auxiliar na identificação de oportunidades de melhoria, análise de rentabilidade e acompanhamento das vendas. “A tecnologia não substitui a experiência do empreendedor, mas amplia sua capacidade de enxergar o próprio negócio e tomar decisões com mais segurança”, destaca.
Entre as soluções mais utilizadas pelos participantes estão aplicativos de mensagens, plataformas de criação de conteúdo e ferramentas de organização da rotina. A proposta é mostrar que a inovação nem sempre depende de grandes investimentos, mas da adoção de práticas que tornem a operação mais eficiente e profissional.
Em 2025, o projeto realizou nove turmas online e nove turmas presenciais na Bahia e no Pará, alcançando mais de mil participantes. No terceiro ciclo, a expectativa é mobilizar mais de 800 jovens empreendedores em ações de formação e aceleração de negócios voltadas ao fortalecimento da sociobioeconomia no Norte e Nordeste. Leia a revista