Nordeste amplia protagonismo na geração de empregos e fortalece ecossistema de pequenos negócios
O Nordeste reforçou sua posição como uma das principais forças econômicas do país ao registrar, em 2025, a criação de cerca de 287 mil empregos formais por meio de micro e pequenas empresas (MPEs). O número supera as aproximadamente 180 mil vagas geradas na Região Sul no mesmo período, segundo levantamento do Sebrae com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).O desempenho coloca a região atrás apenas do Sudeste em geração de empregos por pequenos negócios e evidencia um movimento de fortalecimento do empreendedorismo em diferentes estados nordestinos. Entre eles, a Bahia se destaca como um dos principais polos de crescimento.
Nos quatro primeiros meses de 2026, o estado criou 22.913 postos de trabalho em MPEs. O setor de Serviços liderou a expansão, com 12.701 vagas abertas, seguido pela Construção Civil, responsável por 8.706 empregos, e pela Indústria, com 3.101 novos postos. O resultado posicionou a Bahia na sexta colocação do ranking nacional.
Tecnologia e empreendedorismo além do eixo tradicional
O avanço dos pequenos negócios na região está ligado a uma combinação de fatores que inclui maior confiança empresarial, digitalização e amadurecimento do ecossistema de inovação. Um exemplo desse movimento é a Agilize, empresa fundada em Salvador que se tornou a primeira contabilidade online do Brasil e atualmente atende empreendedores em todo o país.
Segundo Rafael Caribé, CEO da companhia, a trajetória da empresa demonstra o potencial de negócios criados fora dos grandes centros econômicos tradicionais.
“Temos orgulho de dizer que mais de 15% dos nossos clientes são da Bahia e mais de 20% dos empreendedores que atendemos estão no Nordeste. Ao longo dos nossos treze anos de história, já geramos mais de R$ 575 milhões em economia para empreendedores, mostrando que tecnologia não tem CEP. É possível nascer na Bahia e impactar o Brasil inteiro”, afirma.

Rafael Caribé, CEO da Agilize
Imagem: Divulgação
A expansão de empresas de base tecnológica também reflete uma transformação mais ampla no perfil do empreendedor nordestino, cada vez mais conectado a setores inovadores e à economia digital.
Entre os negócios que surgiram nesse contexto está a Bragi Estúdios, criada pelos sócios Irlan Nascimento e Eduarda Bango a partir do objetivo de desenvolver jogos autorais. Com o passar dos anos, a empresa ampliou sua atuação para áreas como gamificação corporativa, projetos educacionais e ativações em eventos.
Apesar dos avanços, os empreendedores destacam que ainda existe forte concentração de investimentos, empresas e oportunidades no eixo Rio-São Paulo, o que exige estratégias adicionais para empresas localizadas em outras regiões.
Segundo os sócios, a diversificação de atividades, a participação em editais, programas de aceleração e a construção de redes de relacionamento nacionais e internacionais são fatores importantes para sustentar o crescimento de estúdios independentes.
Mesmo diante desses desafios, a empresa vive um momento de consolidação e aposta em projetos próprios de maior alcance, como Um Gato no Cangaço, jogo inspirado na cultura nordestina.
Para os empreendedores, a Bahia reúne ativos relevantes para o desenvolvimento da indústria de jogos digitais. Entre eles está a Universidade do Estado da Bahia (UNEB), que abriga o primeiro curso público de Jogos Digitais do Brasil, além da atuação da Associação de Desenvolvedores de Jogos do Estado da Bahia (BIND), voltada ao fortalecimento do setor por meio de ações coletivas e articulação institucional.
Economia criativa amplia impacto regional
O crescimento de segmentos como o de games evidencia o papel estratégico da economia criativa na geração de renda e oportunidades no Nordeste. Além de desenvolver produtos tecnológicos, empresas do setor movimentam uma cadeia diversificada de profissionais e serviços.
Áreas como direito, contabilidade, pesquisa, produção de conteúdo, localização cultural e consultorias especializadas costumam integrar os projetos desenvolvidos por estúdios. Também são frequentes as parcerias com pesquisadores, artistas e criadores ligados à cultura regional, contribuindo para incorporar elementos locais às narrativas e ampliar o impacto econômico dessas iniciativas.
Nesse cenário, a economia criativa surge não apenas como uma fonte de inovação, mas também como uma ferramenta de valorização cultural e desenvolvimento regional.
Crédito e ambientes de inovação impulsionam crescimento
Outro fator apontado para o avanço dos pequenos negócios nordestinos é o aumento da disponibilidade de crédito. No primeiro trimestre de 2026, micro, pequenas e médias empresas receberam 65% de todo o crédito aprovado pelo BNDES para a região, totalizando R$ 2,19 bilhões.
O acesso a linhas de financiamento e a mecanismos de garantia tem contribuído para que empreendedores modernizem operações, ampliem investimentos e reforcem a contratação de profissionais.
Em Salvador, iniciativas voltadas à inovação também ajudam a fortalecer o ambiente de negócios. O Hub Salvador, localizado no bairro do Comércio, tornou-se uma das principais referências do setor no país, reunindo startups, investidores e empresas em um mesmo ecossistema. A capital baiana ainda conta com espaços de coworking gratuitos e programas de apoio ao empreendedorismo, que reduzem custos iniciais e favorecem a criação de conexões estratégicas.
A combinação entre crédito, inovação, infraestrutura de apoio e fortalecimento dos pequenos negócios ajuda a explicar por que o Nordeste vem ampliando sua participação na geração de empregos formais. Mais do que números, o desempenho revela uma região que consolida seu protagonismo econômico a partir da capacidade de transformar criatividade, tecnologia e empreendedorismo em desenvolvimento. Leia a revista