O que levou a Midea Carrier a abandonar oito data centers e migrar tudo para a nuvem?
A migração para a nuvem deixou de ser apenas uma tendência para se tornar uma decisão estratégica em empresas que buscam mais escalabilidade, disponibilidade e eficiência operacional. No caso da Midea Carrier, a jornada rumo a uma operação 100% em cloud começou a partir de uma análise detalhada dos custos, riscos e limitações da infraestrutura que sustentava suas operações na América Latina.Antes da transformação, a companhia mantinha um ambiente distribuído entre cinco data centers no Brasil, dois na Argentina e um no Chile. Além disso, o sistema ERP, SAP operava em modelo de Colocation na IBM. Embora a estrutura atendesse às demandas do negócio, a proximidade de um novo ciclo de renovação tecnológica e a necessidade de investimentos em instalações físicas levaram a empresa a reavaliar seu modelo de infraestrutura.
Segundo Heitor Jacques Hendges, Head de Infraestrutura e Segurança Digital da Midea Carrier para Brasil, Argentina e Chile, diferentes cenários foram colocados na mesa antes da decisão final. A empresa analisou a possibilidade de manter a infraestrutura existente, adotar um ambiente híbrido ou migrar integralmente para a nuvem.
“Comparando os custos envolvidos nos 3 cenários (TCO total) entendemos que a nuvem era a melhor opção. Também consideramos a flexibilidade que a nuvem nos traria para crescimento rápido, alta disponibilidade, facilidades tecnológicas que um ambiente nuvem proporciona, como por exemplo bancos de dados na modalidade PaaS (Plataform as a Service) eliminando a necessidade de upgrades, melhor utilização dos recursos computacionais (Right Size, pagando pelo que usamos), backups automatizados etc afirma.”, afirma.
Avaliação além dos custos
A análise não se restringiu ao investimento direto em infraestrutura. A equipe de TI também considerou fatores frequentemente subestimados em projetos dessa natureza, como custos de facilities, energia, equipes dedicadas à operação dos ambientes e os riscos associados aos ciclos periódicos de renovação tecnológica.
Em ambientes on-premises, a companhia precisava realizar um refresh tecnológico aproximadamente a cada cinco anos. Considerando a quantidade de data centers existentes, isso significava praticamente manter um projeto de atualização em andamento de forma contínua.
Além do impacto financeiro, essas iniciativas exigiam janelas operacionais complexas e traziam riscos para a continuidade dos serviços. A necessidade de manter geradores, nobreaks, sistemas de refrigeração e equipes especializadas operando 24 horas por dia também pesou na decisão.
Uma jornada, não apenas um projeto
A migração foi tratada pela companhia como uma jornada de transformação, e não como um projeto pontual. O planejamento envolveu ambientes legados, infraestrutura de telecomunicações e o ecossistema que sustentava as operações corporativas.
A estratégia adotada priorizou inicialmente ambientes não críticos e não produtivos, permitindo validar processos, identificar ajustes necessários e reduzir riscos antes da migração de sistemas mais sensíveis.
Para viabilizar essa transformação, a Midea Carrier contou com o apoio da Xtrategus, parceiro oficial da Microsoft no Brasil, com a designação de "Solutions Partner for Infrastructure" dentre outras . Essa parceria foi responsável por apoiar o desenho da arquitetura, a definição da estratégia de migração e a execução das etapas que levaram a companhia para um ambiente 100% em nuvem.
Outro ponto considerado fundamental foi a conectividade. Com a infraestrutura passando a depender da nuvem, a disponibilidade dos links de dados tornou-se ainda mais estratégica.
Para garantir estabilidade operacional, a empresa ampliou a quantidade de links de comunicação nos principais sites e aumentou a capacidade das conexões, criando uma estrutura mais resiliente para suportar o novo modelo.
O processo também foi marcado por uma extensa etapa de testes e validações, garantindo que os ambientes migrados mantivessem os níveis de desempenho esperados antes de entrarem em produção.
A mudança para a nuvem trouxe novas possibilidades em termos de disponibilidade e escalabilidade, mas também exigiu uma atenção especial aos aspectos de segurança e governança.
Além dos recursos nativos oferecidos pelos provedores de cloud, a companhia implementou ferramentas complementares de proteção, replicação de ambientes entre zonas distintas e mecanismos avançados de backup.
O controle de acessos administrativos também passou a seguir processos rigorosos, com aprovações formais e registros detalhados das atividades realizadas, reforçando a governança sobre a operação.
Na percepção dos usuários, um dos principais benefícios foi o aumento da disponibilidade dos sistemas. “A principal percepção dos usuários foi no aumento da disponibilidade do ambiente, deixamos de ficar à mercê de problemas de infraestrutura, falhas em backups, falhas em equipamentos de facilities”, destaca Heitor.
O papel da parceria especializada
Mais do que a movimentação dos ambientes para a nuvem, o trabalho envolveu a definição da arquitetura tecnológica, a avaliação dos cenários possíveis e a construção de uma estratégia capaz de garantir a continuidade das operações durante todo o processo.
Segundo Hamilton Barretto, diretor da Xtrategus, projetos dessa magnitude exigem uma abordagem que vai além da simples migração de sistemas. “Uma migração dessa dimensão exige muito mais do que mover aplicações de um ambiente para outro. É necessário avaliar dependências, conectividade, segurança, governança e os impactos para cada área da empresa. O sucesso do projeto esteve diretamente ligado ao planejamento detalhado e à execução em etapas, reduzindo riscos ao longo da jornada”, afirma.
Para Heitor, a experiência da Xtrategus foi importante para dar segurança a uma decisão que, há cerca de seis anos, ainda era considerada pioneira para muitas organizações.
"Impossível executar um projeto que traz uma mudança radical de como se trata a infraestrutura de TI sem uma empresa parceira que tenha o know how para aportar. A Xtrategus trouxe essa experiência, fez a criação dos ambientes, as movimentações e apoiou na definição da melhor arquitetura”, afirma.
Além do suporte técnico, a empresa também contribuiu para a disseminação de boas práticas relacionadas à computação em nuvem e para a adoção de uma visão mais estratégica sobre infraestrutura digital. A parceria permitiu que a equipe da Midea Carrier acelerasse a curva de aprendizado e tomasse decisões com base em experiências acumuladas em outros projetos de transformação tecnológica.,
Disponibilidade, escalabilidade e previsibilidade
Passados cerca de seis anos da conclusão da migração, os ganhos mais relevantes continuam relacionados à disponibilidade dos ambientes e à capacidade de responder rapidamente às demandas do negócio.
O modelo cloud permitiu à companhia adotar uma lógica mais alinhada ao consumo real dos recursos computacionais, reduzindo a necessidade de investimentos antecipados para suportar crescimentos futuros.
A escalabilidade passou a ocorrer de forma mais rápida e flexível, enquanto recursos como backups automatizados, réplicas geográficas e serviços gerenciados reduziram a complexidade operacional da infraestrutura.
Além disso, a gestão dos ambientes tornou-se mais previsível e transparente, facilitando o planejamento da área de tecnologia.
Ao olhar para trás, Heitor acredita que um dos principais aprendizados da jornada foi a importância de avaliar novas tecnologias sem receio de desafiar modelos tradicionais.
Para ele, muitas empresas ainda cometem erros ao analisar projetos de migração para a nuvem apenas sob a perspectiva dos custos diretos. “Avaliem o TCO (Total Cost of Ownership) tem muitos custos mascarados que às vezes não são considerados em um business case, custo de propriedade, refresh de infraestrutura de tempos em tempos, custo de Facilities, energia, pessoal 24x7 etc. Tudo precisa ser considerado, além dos fatores qualitativos, quanto custa ter um ambiente mais estável e escalável para o negócio? ”, aconselha.
Outro ponto destacado pelo executivo é a necessidade de contar com equipes preparadas e parceiros especializados para conduzir a transformação.
Na sua avaliação, o sucesso de uma migração depende de estratégias bem definidas, entendimento claro dos objetivos e capacidade de execução ao longo de toda a jornada.
Mais do que uma mudança tecnológica, a experiência da Midea Carrier demonstra como a revisão do modelo de infraestrutura pode se tornar um instrumento para aumentar a resiliência operacional, simplificar a gestão e criar bases mais sólidas para o crescimento do negócio.
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