DEX: o novo indicador de produtividade

Se a experiência digital passou a ser central para a produtividade, a ausência de visibilidade sobre ela representa um dos maiores pontos cegos das organizações. Isso porque grande parte dos impactos gerados por falhas tecnológicas não aparece de forma explícita nos indicadores financeiros. Um sistema lento, um equipamento inadequado ou uma falha recorrente não são, isoladamente, considerados custos. No entanto, quando esses fatores se repetem ao longo do tempo, eles criam um efeito acumulado que compromete significativamente a eficiência operacional.

De acordo com análises conduzidas pela Manager One, baseadas em projetos com clientes e benchmarking de mercado, perdas de tempo causadas por problemas tecnológicos podem representar semanas inteiras de trabalho improdutivo ao longo do ano por colaborador. Trata-se de um impacto silencioso, diluído no dia a dia, mas altamente relevante quando analisado em escala.

Ao mesmo tempo, existem perdas diretas que também passam despercebidas. Dados apresentados pela Manager One, com base em estudos de mercado e levantamentos operacionais, indicam que até 30% das licenças de software adquiridas pelas empresas não são utilizadas. Além disso, entre 8% e 12% dos ativos tecnológicos não possuem rastreamento adequado dentro das organizações.

Esses números revelam um cenário em que empresas não apenas deixam de extrair valor de seus investimentos, mas também continuam alocando recursos de forma ineficiente.

Outro fator crítico está na gestão do ciclo de vida dos ativos. Sem visibilidade integrada, equipamentos são adquiridos sem necessidade real, licenças são renovadas automaticamente sem análise de uso e contratos permanecem ativos mesmo após a descontinuação de dispositivos. O resultado é um modelo de gestão baseado em estimativas – e não em dados concretos.

Para Clayton Silva, CEO da Manager One, esse é um dos principais desafios enfrentados pelas empresas atualmente: “O maior problema não é investir em tecnologia, mas investir sem visibilidade. Quando a empresa não sabe exatamente o que tem, como está sendo utilizado e qual impacto isso gera, ela perde eficiência e dinheiro ao mesmo tempo.”


Imagem: Divulgação
Clayton Silva, CEO da Manager One


Nesse contexto, o DEX (Digital Employee Experience - Experiência Digital do Funcionário) surge como uma resposta estruturada a esse problema. Ao transformar a experiência digital em um indicador mensurável, ele permite que empresas identifiquem gargalos, antecipem falhas e tomem decisões mais assertivas.

Segundo a Gartner, essas plataformas não apenas monitoram a experiência digital, mas também possibilitam ações automatizadas e proativas, atuando diretamente na resolução de problemas antes que eles impactem os usuários.

A convergência entre tecnologia e pessoas – e o impacto direto no negócio

A consolidação do DEX traz uma consequência relevante: a aproximação entre áreas que historicamente operaram de forma separada. Tecnologia e recursos humanos passam a compartilhar um mesmo indicador – a experiência do colaborador.

Isso acontece porque a qualidade da experiência digital influencia diretamente fatores como engajamento, satisfação e retenção de talentos. Em um cenário em que profissionais dependem integralmente da tecnologia para executar suas funções, falhas nesse ambiente impactam não apenas a produtividade, mas também a percepção sobre a empresa.

Dados apresentados pela Manager One, com base em referências de mercado, indicam que colaboradores que enfrentam dificuldades frequentes com tecnologia têm até cinco vezes mais probabilidade de buscar um novo emprego. O custo de substituição desses profissionais pode variar entre 50% e 200% do salário anual, considerando recrutamento, treinamento e perda de produtividade.

Esse cenário transforma a experiência digital em um fator estratégico para a gestão de pessoas. “A experiência digital do colaborador deixou de ser um tema restrito à TI. Hoje, ela influencia diretamente a retenção de talentos e o desempenho das equipes. Empresas que não medem isso estão tomando decisões sem base real”, afirma Clayton.

Um exemplo prático dessa transformação pode ser observado em operações de grande escala, como no setor aéreo. A Azul Linhas Aéreas, cliente da Manager One, utiliza dispositivos móveis em diversas etapas críticas de sua operação. Nesse contexto, a falta de visibilidade sobre esses ativos poderia gerar perdas financeiras relevantes, além de comprometer a eficiência operacional.


Imagem: Banco de dados

Com a evolução para uma gestão mais estruturada e orientada por dados, a companhia passou a ter maior controle sobre o uso de dispositivos, reduzindo perdas, melhorando o planejamento de investimentos e aumentando a eficiência de suas operações.

Mais do que controle, o ganho foi de inteligência operacional. A tecnologia passou a fornecer informações estratégicas sobre uso, necessidade e desempenho, permitindo decisões mais precisas.

Para Clayton, esse é o ponto central da transformação: “Quando a empresa passa a olhar para a experiência digital, ela deixa de reagir aos problemas e começa a antecipá-los. Isso muda completamente a forma como a tecnologia contribui para o negócio.”

Esse movimento também redefine o papel da TI, que passa a atuar de forma integrada com outras áreas e orientada por dados de impacto real. A experiência digital se consolida, assim, como um novo tipo de indicador – não apenas técnico, mas estratégico.

Empresas que avançam nesse modelo tendem a apresentar maior eficiência operacional, melhor experiência do colaborador e maior capacidade de retenção de talentos. Em um cenário de alta competitividade e transformação constante, esses fatores deixam de ser diferenciais e passam a ser determinantes para a sustentabilidade do negócio.

A experiência digital do colaborador não é apenas uma evolução conceitual. Ela representa uma mudança na forma como as empresas entendem produtividade.

E, diante desse novo cenário, a pergunta que passa a orientar decisões estratégicas é inevitável: não quanto a empresa investe em tecnologia – mas qual é o impacto real dessa tecnologia na capacidade das pessoas de trabalhar melhor.


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Redação, 19.MAIO.2026 | Postado em Capa

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