Gestão de ativos avança com RFID, mas inteligência ainda é limitada nas organizações

Empresas brasileiras têm avançado na digitalização da gestão de ativos físicos, impulsionadas pela necessidade de maior controle patrimonial, exigências regulatórias e busca por eficiência operacional. Ainda assim, transformar dados em inteligência estratégica segue como um desafio para grande parte das organizações.

Na prática, inventários manuais de ativos podem levar dias para serem concluídos, especialmente em operações com grande volume de itens. Com o uso de tecnologias como RFID (Identificação por Radiofrequência), esse processo pode ser reduzido para poucas horas, segundo estimativas de fornecedores e especialistas do setor.

Apesar do ganho operacional, especialistas apontam que a automação resolve apenas parte do problema. O verdadeiro valor está na capacidade de transformar dados em inteligência – com análise preditiva, otimização do ciclo de vida e suporte à tomada de decisão.

O cenário ainda é comum em grandes empresas: equipes mobilizadas para auditorias periódicas, conferindo etiquetas manualmente e atualizando planilhas que rapidamente se tornam obsoletas. Além de ineficiente, esse modelo amplia riscos financeiros e regulatórios.

A ausência de controle estruturado compromete o atendimento às exigências do CPC 27 (Ativo Imobilizado), norma contábil brasileira que define como os ativos devem ser reconhecidos, mensurados e depreciados nas demonstrações financeiras – sendo essencial para garantir conformidade, transparência e consistência nos balanços. Sem dados confiáveis, a definição da vida útil e da depreciação torna-se imprecisa, aumentando a exposição a inconsistências contábeis e ressalvas em auditorias.

Da operação à inteligência de ativos

A evolução da gestão de ativos pode ser compreendida em três níveis de maturidade. O primeiro é o controle operacional, focado na localização e responsabilidade dos bens. O segundo é a gestão integrada, que conecta o ciclo de vida dos ativos aos sistemas corporativos. Já o terceiro – e mais avançado – é a inteligência de ativos, onde tecnologias como Digital Twins e machine learning permitem prever falhas, otimizar uso e apoiar decisões estratégicas.

Segundo Clayton de Souza Silva, CEO da Manager One, o principal desafio está na transição entre esses estágios. “Saber onde está o ativo é apenas o começo. Entender seu custo, uso, ciclo de vida e impacto no negócio é o que define uma gestão eficiente. A automação resolve o tempo, mas a inteligência define a eficiência financeira”, conclui.

Esse avanço não é apenas tecnológico, mas também cultural. Ele exige que o patrimônio físico seja tratado como parte do ecossistema de dados da empresa, capaz de gerar insights que aumentam a previsibilidade e reduzem custos.

A crescente exigência por rigor contábil também tem impulsionado essa transformação. O CPC 27 demanda revisões periódicas de vida útil, testes de impairment e controle detalhado dos ativos – processos que, sem sistemas estruturados, tendem a ser genéricos e imprecisos.
Oportunidade no mercado brasileiro
Apesar do avanço global em tecnologias como IoT, BIM e Digital Twins, a adoção no Brasil ainda ocorre de forma fragmentada. Há espaço relevante para evolução rumo a modelos baseados em análise preditiva e inteligência artificial.

Para Clayton, o cenário aponta para uma mudança de mentalidade: a gestão de ativos deixa de ser um processo operacional e passa a assumir um papel estratégico dentro das organizações. “A gestão de ativos deixa de ser apenas controle e passa a ser uma ferramenta de planejamento financeiro. Existe uma oportunidade clara de transformar custo em inteligência de negócio”, afirma o CEO.

Em um ambiente em que dados se tornam ativos centrais, a transição da planilha para a inteligência deixa de ser opcional. Automatizar processos é apenas o ponto de partida. O diferencial competitivo está na capacidade de transformar informação em decisão.

Nesse contexto, soluções que integram rastreabilidade, automação e análise estratégica ganham espaço ao apoiar empresas na evolução da gestão patrimonial para modelos mais eficientes e orientados por dados. A Manager One atua nesse cenário, conectando tecnologia, governança e inteligência para transformar a gestão de ativos em um instrumento de eficiência operacional e tomada de decisão Leia a revista

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