Proteger empresas em 2026 exige estruturar a TI antes do ataque acontecer

Os ataques cibernéticos estão evoluindo mais rápido do que a capacidade das empresas de reagir. Em vez de ofensivas ruidosas e facilmente identificáveis, o cenário atual é marcado por invasões silenciosas, uso de credenciais legítimas e exploração de falhas operacionais dentro das organizações.

Analisando esse cenário, convidamos o especialista Marcos Antônio dos Santos, CEO da MS Tech, para comentar sobre os principais pontos do Relatório Anual de Cibersegurança 2025, desenvolvido pela ISH Tecnologia, e discutir os desafios que as empresas devem enfrentar nos próximos anos.

Segundo o estudo, os ataques digitais tornaram-se mais direcionados e persistentes, explorando não apenas vulnerabilidades técnicas, mas também falhas de processos, decisões operacionais e limitações estruturais das equipes de segurança. O relatório aponta que grupos criminosos têm ampliado o uso de engenharia social avançada, exploração de cadeias de fornecedores e ataques de baixa visibilidade capazes de permanecer ativos por longos períodos sem detecção.

Para Marcos, esse cenário revela um problema estrutural dentro das empresas. “Geralmente a empresa tem um profissional de TI que cuida do atendimento do dia a dia, da microinformática, mas não tem um especialista em infraestrutura, em segurança ou em continuidade de negócios”, afirma.

Segundo ele, muitas organizações acabam concentrando esforços apenas no suporte técnico cotidiano, enquanto aspectos estratégicos da tecnologia – como proteção de ativos digitais e gestão de riscos – permanecem sem uma estrutura adequada.

Mais dados, mais alertas e menos clareza

O relatório também revela outro fenômeno que vem pressionando as equipes de segurança: o crescimento massivo do volume de alertas gerados pelos sistemas de monitoramento.

Entre janeiro e outubro de 2025, foram registrados mais de 41 mil falsos positivos em ambientes monitorados. Isso representou mais de 35 mil horas de trabalho dedicadas à análise de eventos que não representavam ameaças reais, consumindo cerca de R$ 7 milhões em recursos humanos e tecnológicos. 

Esse excesso de alertas cria um cenário de sobrecarga operacional que pode dificultar a identificação de incidentes realmente críticos. Para Marcos, a situação se torna ainda mais desafiadora quando as empresas não possuem uma visão clara do próprio ambiente tecnológico. “A maioria das empresas não tem a documentação do próprio ambiente de TI. Sem conhecer o ambiente, fica muito difícil proteger ele”, explica.

Outro ponto destacado pelo especialista é a tendência de muitas organizações tentarem resolver problemas operacionais apenas com a adoção de novas ferramentas tecnológicas. “Tecnologia não corrige processos. Ela melhora processos que já estão definidos”, afirma.

Na prática, isso significa que empresas que adotam soluções de segurança sem antes organizar seus fluxos operacionais podem acabar criando ambientes mais complexos – e nem sempre mais seguros. “Primeiro você precisa mapear o processo, documentar e fazer ele funcionar. Depois disso você coloca tecnologia e inovação”, explica.

Ransomware continua sendo a principal ameaça

O relatório também aponta que o ransomware – ataque que sequestra dados corporativos em troca de pagamento – segue como uma das principais ameaças ao ambiente empresarial brasileiro.

Esse tipo de ataque se tornou mais sofisticado ao longo dos últimos anos, explorando credenciais válidas e movimentação lateral dentro das redes corporativas para ampliar o impacto antes mesmo de ser detectado. A cadeia de ataque observada em muitos incidentes começa com falhas simples de processo ou controle de acesso, evoluindo gradualmente até gerar impacto operacional relevante. 

Para o CEO, esse cenário reforça a importância de tratar a tecnologia como parte da estratégia de continuidade do negócio. “O Brasil é um dos países que mais sofre ataques cibernéticos. Mesmo assim, muitas empresas ainda enxergam segurança e continuidade de negócios como custo”, afirma.

O que muda para 2026

O relatório indica que os próximos anos devem exigir mudanças importantes na forma como as empresas estruturam suas operações de segurança. Ataques tendem a se tornar ainda mais silenciosos, explorando credenciais legítimas, falhas humanas e brechas em cadeias de fornecedores.

Nesse contexto, a maturidade da infraestrutura tecnológica passa a ser um fator decisivo para a resiliência das organizações. “Não existe fórmula mágica. O que as empresas precisam é melhorar continuamente a eficiência do ambiente de TI”, afirma. Segundo ele, essa eficiência está diretamente ligada aos três pilares fundamentais da tecnologia da informação: disponibilidade, integridade e confidencialidade. “Ter sistemas, aplicações e infraestrutura preparados para garantir esses três pilares é o que realmente protege uma empresa”, conclui.

Diante desse cenário, a tendência para 2026 é que empresas passem a olhar para a tecnologia não apenas como suporte operacional, mas como parte essencial da estratégia de continuidade e segurança do negócio. Estruturar processos, fortalecer a infraestrutura e antecipar riscos passa a ser um diferencial competitivo em um ambiente digital cada vez mais complexo e exposto a ameaças.

A MS Tech atua na estruturação e organização de ambientes de TI para apoiar empresas que buscam maior eficiência operacional e maturidade em segurança digital.  Leia a revista

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