Nordeste concentra 24% das startups do país e amplia atração de fundos de investimento
O Nordeste concentra hoje cerca de 24% das startups brasileiras, o equivalente a uma em cada quatro empresas inovadoras do país. A região também abriga 15% dos parques tecnológicos nacionais, entre unidades em operação e em implantação. Os dados, divulgados pelo Sebrae Startups Report e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, indicam um protagonismo relativamente recente, impulsionado por políticas públicas, fortalecimento de hubs de inovação e maior circulação de capital de risco fora do eixo Sudeste.Esse movimento tem atraído a atenção de casas de investimento especializadas em mercados regionais. Uma delas é a LightHouse, que atua com foco em startups do Nordeste e do Norte. Desde 2023, a gestora colocou em operação dois fundos de investimento em participações (FIP), que somam R$ 150 milhões em capital autorizado, e segue estruturando novos veículos.
O primeiro fundo, o FIP LH Tech Ventures, lançado com capital autorizado de R$ 100 milhões, já realizou sete investimentos e projeta alcançar 16 startups no portfólio. Segundo Alexandre Darzé, um dos sócios da LightHouse, os resultados iniciais têm confirmado a tese de investir em negócios inovadores fora dos grandes centros tradicionais.
Um dos exemplos é a Trackfy, startup baiana especializada no uso de Internet das Coisas (IoT) e análise de dados para a gestão de equipes em canteiros de obras e plantas industriais. A empresa firmou recentemente um acordo internacional de troca de ações que resultou em sua incorporação à WakeCap, com sede na Arábia Saudita.
Com a operação, a Trackfy passou a integrar um grupo com atuação global em projetos industriais e de infraestrutura. “A combinação das empresas consolida uma plataforma de inteligência para gestão de equipes em campo, presente em projetos ativos ao redor do mundo”, afirma Túlio Cerviño, que assume agora o cargo de CEO para a América Latina e vice-presidente global de operações industriais da WakeCap.

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Túlio Cerviño, CEO da Trackfy e vice-presidente global de operações industriais da WakeCap.
Para Flávio Marinho, Sócio-Diretor da Lighthouse Investimentos, o caso ilustra a importância da conexão entre inovação e acesso a capital. Segundo ele, a LightHouse foi criada justamente para ampliar a oferta de capital de risco qualificado em regiões onde esse tipo de financiamento ainda é limitado. “Há talento e disposição para empreender, mas muitas startups do Nordeste historicamente não conseguiam acessar fundos concentrados no Sudeste”, explica.

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Flávio Marinho, Sócio-Diretor da Lighthouse Investimentos.
Fundada em 2017, a LightHouse tem sede em Salvador e mantém escritórios em Recife e São Paulo, além de estar em processo de instalação em Manaus. A estratégia inclui presença física próxima aos ecossistemas locais, com parcerias e pontos de atuação em hubs de inovação em praticamente todos os estados do Norte e do Nordeste.
Essa proximidade, segundo a gestora, facilita a identificação de oportunidades e o acompanhamento das startups investidas, especialmente em estágios iniciais. A atuação junto a ambientes de inovação também marcou a trajetória da empresa durante o período em que foi responsável pela implantação e gestão do Hub Salvador, iniciativa em parceria com a Prefeitura de Salvador voltada à inserção da cidade no mapa nacional do empreendedorismo.
De acordo com Gustavo Menezes, sócio e diretor da LightHouse, a experiência contribuiu para fortalecer o ecossistema local e ampliar a visibilidade das startups da região. Além disso, a gestora atua na promoção e participação em eventos de fomento ao empreendedorismo, como a Pitch Week, iniciativa itinerante que já movimentou mais de R$ 350 milhões em negócios no Nordeste.
Com a ampliação do número de startups, a consolidação de hubs regionais e a presença crescente de fundos especializados, o Nordeste passa a ocupar um espaço mais relevante no mapa nacional de inovação, conectando empreendedores locais a mercados e investidores globais. Leia a revista