Adquirentes ganham protagonismo no avanço das fintechs no Brasil

Com o avanço acelerado das fintechs no Brasil, a infraestrutura de pagamentos deixou de ser apenas um componente técnico e passou a ocupar papel central na estratégia de negócios. Segundo a Allied Market Research, o mercado global de fintechs deve crescer, em média, 23% ao ano até 2028, impulsionado por soluções de pagamento digital, Banking as a Service (BaaS) e marketplaces.

Nesse cenário, a adquirente — também chamada de credenciadora — ganhou protagonismo. É ela quem conecta lojistas, aplicativos e plataformas ao sistema de cartões, viabilizando a autorização, o processamento e a liquidação das transações financeiras.

“Sem a adquirente, o pagamento com cartão simplesmente não acontece. Ela é a espinha dorsal da transação”, afirma Segundo Rafael Franco, CEO da Alphacode, empresa especializada no desenvolvimento de plataformas financeiras digitais.


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Rafael Franco, CEO da Alphacode


Além de processar pagamentos, a adquirente é responsável por prazos de liquidação, taxas, parcelamentos e pela agenda de recebíveis, fatores que impactam diretamente o fluxo de caixa das fintechs. Com mais de 60% das empresas do setor oferecendo soluções completas — como contas digitais, crédito e pagamentos integrados —, a adquirência passou a influenciar diretamente a capacidade de escalar operações.

“Ela interfere diretamente na capacidade de escalar, na taxa de conversão das transações, na margem financeira e no controle de risco”, explica Franco. Falhas de autorização ou instabilidade no processamento podem resultar em abandono imediato de compras, especialmente em aplicativos móveis.

A gestão de risco também se tornou um ponto crítico. Chargebacks, fraudes e disputas fazem parte do cotidiano das operações financeiras digitais. “A forma como a adquirência é estruturada influencia a previsibilidade de caixa e até a saúde financeira da empresa”, avalia o executivo.

Por isso, a escolha da adquirente passou a ser tratada como uma decisão estratégica. “Cada decisão tem implicações claras em custo, controle, risco regulatório e capacidade de escalar”, afirma Franco.

“A adquirente é infraestrutura crítica. Em muitos casos, ela define se o produto vai crescer de forma previsível ou acumular problemas operacionais ao longo do caminho. Em um ecossistema financeiro cada vez mais digital, a solidez dessa escolha se tornou um dos fatores que separam operações escaláveis de projetos que não passam do piloto.”, conclui. Leia a revista

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