Terceirizados elevam risco cibernético nas empresas do Nordeste
A dependência de fornecedores, parceiros e prestadores de serviço trouxe eficiência operacional, mas também ampliou a superfície de ataque nas corporações do Nordeste e do país. Segundo o Índice de Preparação para Cibersegurança 2025 da Cisco, apenas 5% das empresas brasileiras têm maturidade adequada para enfrentar ameaças modernas, e mais de 30% já foram alvo de incidentes. Nesse cenário, a entrada de terceiros no ecossistema digital amplia vulnerabilidades e exige controles mais rigorosos.Um caso recente ilustra o risco: um ataque ocorrido em junho contra uma empresa de tecnologia prestadora de serviços a bancos nacionais, ainda sob investigação da Polícia Federal, expôs como falhas em fornecedores podem gerar efeitos sistêmicos em organizações de grande porte.
“A gestão de terceiros é um elo crítico do negócio. Sem rigor, abre brechas com impactos financeiros, operacionais e reputacionais”, afirma Bruno Santos, CRO da área de Gestão de Terceiros da Bernhoeft. Entre os problemas recorrentes estão credenciais fracas ou compartilhadas, ausência de segmentação de rede, políticas de segurança imaturas nos fornecedores e falta de monitoramento e auditoria contínuos.
Para mitigar riscos, especialistas recomendam uma abordagem integrada de tecnologia e governança. Controles como IAM/PAM para identidades e privilégios, plataformas de GRC/TPRM para gestão de riscos de terceiros, SIEM/SOAR para detecção e resposta, e testes periódicos de vulnerabilidades devem fazer parte da rotina. Em casos específicos, soluções de rastreabilidade, como blockchain, podem apoiar a integridade de cadeias críticas. Técnicas de inteligência artificial e machine learning têm ganhado espaço na identificação de comportamentos anômalos e automatização de respostas. “Tecnologia é essencial, mas não basta: a gestão de terceiros precisa ser estratégica, preventiva e orientada por dados”, reforça Bruno.
Medidas práticas incluem avaliar a maturidade de segurança dos fornecedores, mapear a superfície de ataque externa, revisar histórico de incidentes, verificar certificações, aplicar questionários padronizados e exigir cláusulas contratuais específicas de segurança. Além dos controles técnicos, construir uma cultura de segurança compartilhada com parceiros é vital — com treinamentos regulares, auditorias in loco, fóruns de troca de informações e expectativas de conformidade claramente definidas. “Não é apenas impor exigências, mas envolver os terceiros na construção de uma rede digital resiliente”, observa Fábio Josgrilberg, Head de Novos Produtos na área de Gestão de Terceiros da Bernhoeft.
Setores como financeiro, saúde, tecnologia, infraestrutura crítica e governo — com forte presença na região — requerem atenção redobrada. A integração entre Segurança da Informação, Jurídico, Compras e Compliance ajuda a padronizar processos e coordenar respostas a sinais de ameaça. Em linha com o NIST CSF 2.0 e a ISO/IEC 27002:2022, ganharam relevância o monitoramento contínuo da cadeia de suprimentos, a inclusão de terceiros nos planos de resposta a incidentes e o controle rigoroso de segurança em contratos.
Em um ambiente mais regulado e interconectado, a gestão de riscos de terceiros tornou-se imperativo de negócio: antecipar ameaças, fortalecer governança e manter monitoramento ativo são passos decisivos para a resiliência digital das empresas no Nordeste e em todo o Brasil. Leia a revista