Golpes com Pix acarreta prejuízo em 2025 e revela profissionalização do crime digital
Os golpes digitais se tornaram um dos crimes patrimoniais mais graves do país. A terceira edição da pesquisa Golpes com Pix, realizada pela Silverguard, aponta que o prejuízo médio por vítima aumentou 21% em relação a 2024, chegando a R$ 2.540. O levantamento, que analisou mais de 12 mil denúncias na Central SOS Golpe e dados do Banco Central obtidos via Lei de Acesso à Informação, revela um cenário de profissionalização das fraudes e uso crescente de contas jurídicas para movimentar dinheiro ilícito.Segundo o estudo, 65% dos golpes agora têm como destino contas de pessoas jurídicas, principalmente empresas LTDA, o que dificulta o rastreio e dá aparência de legitimidade às transações. Em 2024, esse índice era de 42%. “O que vemos hoje é uma indústria criminosa estruturada, que aluga contas PJ, compra anúncios em redes sociais e atua como uma empresa paralela ao mercado formal”, afirma Marcia Netto, CEO da Silverguard e coordenadora da pesquisa.
A pesquisa também expõe grandes desigualdades de impacto. Nas classes A/B, o prejuízo médio chegou a R$ 10.500, aumento de 67% em relação ao ano anterior. Já nas classes C e D/E, as perdas médias foram de R$ 4.300 e R$ 1.500, respectivamente. As pessoas com 60 anos ou mais perdem, em média, cinco vezes mais que jovens de 18 a 29 anos. Entre empresas, o prejuízo médio foi de R$ 5.200, o dobro das perdas das pessoas físicas.
Os golpes partem, majoritariamente, de plataformas digitais: dois em cada três têm origem em serviços da Meta. O WhatsApp lidera com 29,6% dos casos, seguido por Instagram (21,4%) e Facebook (13,1%). O Telegram já responde por 11,8% das ocorrências, com alta de 61% em relação a 2024. Apesar de menos frequentes (1,8%), as ligações telefônicas causam os maiores prejuízos médios, de R$ 6.200 por vítima, principalmente em casos de spoofing — quando o golpista usa um número conhecido.
O levantamento também avalia a efetividade do Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central em 2021 para auxiliar vítimas de fraudes via Pix. Mesmo com projeção de R$ 7 bilhões em solicitações em 2025, a taxa de devolução efetiva deve cair para apenas 6,8%, em uma tendência de queda contínua desde 2023. Para a Silverguard, essa redução está ligada à “migração dos golpes para contas PJ e intermediários de pagamento”, que enfraquece o funcionamento do sistema.
Entre os estados mais afetados, Alagoas lidera com o maior valor médio de prejuízo (R$ 3.370), seguido por Espírito Santo (R$ 2.890) e Roraima (R$ 1.880). No outro extremo, o Rio Grande do Norte registrou a menor média: R$ 650 por vítima.
De acordo com a Silverguard, a combinação entre uso de inteligência artificial em fraudes e a baixa conscientização digital agrava o cenário. “Dois em cada três golpes começam em plataformas da Meta, e 85% em alguma Big Tech. O uso de deepfakes e IA generativa torna as histórias mais convincentes e perigosas. É hora de dividir responsabilidades entre bancos, fintechs e plataformas digitais”, alerta Marcia Netto.

Imagem: Divulgação
Marcia Netto, fundadora da Silverguard e coordenadora do estudo Golpes com Pix no Brasil
Com o rombo estimado em mais de R$ 100 bilhões por fraudes financeiras em 2025, a pesquisa reforça a urgência de novas medidas de prevenção e cooperação entre agentes públicos e privados. “Não existe bala de prata contra golpes, mas é possível usar a IA do bem contra a dark AI, transformando a dor em dados — e dados em prevenção", conclui a executiva. Leia a revista