Novo Hub Global de processamento de dados no Ceará
Um projeto de data center no Porto do Pecém, Ceará, recebeu parecer favorável do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para acesso de 300 MW em sua primeira fase. Esta autorização é um passo importante para consolidar o Ceará como um potencial hub global de processamento de dados.A habilitação nas Normas Brasileiras de Serviços (NBSs) também foi aprovada pelo Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE), órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Essa classificação regulamenta a prestação de serviços de armazenagem, processamento e tráfego de dados voltados exclusivamente para exportação.
Ambas as permissões – acesso ao sistema de transmissão e aprovação das NBSs – são cruciais para o avanço do projeto. Estima-se que os investimentos na primeira fase superem R$ 50 bilhões, com impacto significativo em setores como energia, tecnologia, conectividade e qualificação profissional. A previsão é de mais de 20 mil empregos diretos e indiretos, além da criação de um novo polo de infraestrutura digital, impulsionando o desenvolvimento econômico do País e, em especial, do Nordeste e Ceará.
O projeto se destaca pela tecnologia inovadora e baixo consumo de água. O data center utilizará sistemas de refrigeração em ciclo fechado, o que reduz drasticamente o uso de água em comparação com métodos tradicionais. Em Caucaia, Ceará, o consumo de água da primeira fase do empreendimento, estimado em 30m³ por dia, corresponde a aproximadamente 0,045% da demanda residencial total da cidade, ou ao consumo médio de 72 residências.
“Vale destacar que estamos vivendo uma nova era com o advento da Inteligência Artificial (IA), cujo potencial já é transformador e essencial em praticamente todos os setores da sociedade e da economia. O aumento da demanda pela inteligência artificial requer energia e água em qualquer lugar do mundo, e o Brasil está muito bem posicionado. A escolha pelo sistema fechado é estratégica e reforça o compromisso do projeto com a preservação dos recursos naturais, principalmente do uso da água?, explica Lucas Araripe, Diretor-executivo.
A energia será proveniente de novos parques eólicos e solares, a serem instalados no Nordeste e dedicados exclusivamente a este empreendimento, sem impactar a oferta energética atual do país. O uso de fontes renováveis resulta em uma emissão de carbono consideravelmente menor que a média global. A proximidade entre consumo e geração de energia na mesma região também minimiza os impactos de interrupções na geração.
O empreendimento tem potencial para mais que dobrar a capacidade instalada de data centers no Brasil, solidificando a posição do país no cenário internacional frente à crescente demanda por processamento de dados. O projeto é considerado viável para execução em curto prazo, com construção prevista para o segundo semestre de 2025 e operação para o segundo semestre de 2027.
“O Brasil tem os atributos certos para liderar esse novo mercado: matriz energética renovável, conectividade robusta, estabilidade elétrica e capital humano qualificado. Essa é uma oportunidade concreta para exportar serviços de alto valor agregado e acelerar a transição energética?, destaca Lucas Araripe.
A seleção do Ceará para o projeto é estratégica, dadas as condições únicas que o estado oferece: a Zona de Processamento de Exportação (ZPE Ceará), a proximidade das estações de cabos submarinos em Fortaleza (que conectam o Brasil a hubs globais), a robusta conexão com o Sistema Interligado Nacional (SIN) e a vasta oferta de energia renovável no Nordeste. Leia a revista