A indústria 4.0 e o poder dos dados
A digitalização da indústria brasileira evoluiu de uma tendência para um movimento consolidado e crescente. Diversos setores, da química à alimentação, já utilizam ciência de dados para antecipar interrupções, ajustar processos e transformar linhas de produção em ambientes inteligentes.Essa abordagem vem remodelando o modelo industrial tradicional, com decisões cada vez mais embasadas por análise preditiva e indicadores em tempo real.
Na prática, sensores e algoritmos cooperam para monitorar variáveis críticas, como temperatura, pressão e consumo de energia, gerando alertas automáticos antes que ocorram falhas. O resultado é duplo: perdas minimizadas e eficiência elevada, com menor impacto ambiental e maior qualidade para o consumidor.
Na unidade da Henkel em Jundiaí (SP), a empresa utilizou a ciência de dados para elevar a eficiência operacional. Graças a ajustes dinâmicos na pressão de vapor da caldeira, a economia chegou a R$?56?mil por mês (R$?682?mil ao ano).
Paralelamente, o controle aprimorado do abastecimento reduziu custos em 33%, o que equivale a 46?mil euros anuais.
Com investimentos modestos em sensores de nível de água, a empresa identificou fontes mais adequadas para captação, reforçando seu compromisso com metas de ESG. A aplicação da ciência de dados no projeto, alinhada à norma ISO?50001 e envolvendo um vasto parque industrial, permite a análise de bilhões de pontos de dados em até 20 minutos, possibilitando intervenções rápidas e precisas.
Tiago Machado, cofundador da ST-One, ressalta que "o monitoramento contínuo prolonga períodos de operação eficiente, reduz desperdícios e contribui diretamente às metas de sustentabilidade da Henkel."

Imagem: Divulgação
Tiago Machado, cofundador da ST-One
Em Eusébio (CE), a M.?Dias?Branco aplica tecnologia de ponta para aprimorar a produção de margarina. Em conjunto com a UFMG, a empresa instalou sensores que acompanham em tempo real variáveis essenciais durante a desodorização do óleo, etapa sensível no processo.
Modelos preditivos detectam eventuais variações no vácuo, possibilitando correções imediatas antes que qualquer lote seja comprometido. Assim, a operação ganha em confiabilidade e reduz o risco de perdas irreversíveis.
Vantagem Competitiva e Futuro
No cenário industrial brasileiro, onde automação e maturidade digital ainda caminham lado a lado, a análise inteligente de dados desponta como diferencial competitivo. Esses casos demonstram que não é preciso uma revolução imediata, mas uma evolução estratégica, capaz de gerar impactos reais — desde ganhos operacionais até avanços em sustentabilidade e reputação."Quando os dados orientam decisões, os resultados vão além do lucro. Envolvem qualidade, inovação e credibilidade", destaca Tiago Machado. Leia a revista