ARTE E TECNOLOGIA


27/6/2016 |

Com uma geração cada vez mais exigente e apegada às novas tecnologias, levar esse público aos museus e centros culturais tem sido tarefa difícil. Por isso, esses espaços tiveram que se reinventar. Assim, o investimento com a alta tecnologia e interatividade empregadas, aos poucos, nos museus e centros de
cultura do Brasil e, especialmente do Nordeste, estão trazendo uma nova
fase para estes lugares.

As tecnologias podem ser projetadas para melhorar a aprendizagem, quando usadas para atividades que levem a sociedade a explorar e construir novos conhecimentos. Neste contexto, a Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) tem importante papel na museologia contemporânea.

Para o profissional de TI, Lucas Barreto, que coordena o setor tecnológico de dois centros culturais de Salvador, a implantação dessas tecnologias nos espaços culturais é uma forma de atrair os jovens que, em suas casas, estão, na maioria das vezes, tocando em equipamentos, telas Touch e Smartphones. "Até as crianças estão crescendo nesse ritmo, de pegar o telefone do pai ou da mãe para interagir ou assistir vídeos de animação. E o espaço cultural, colocando essa ferramenta aqui, faz com que os jovens se sintam mais atraídos para conhecerem a cultura", defende Lucas.

Assim, a demanda de tecnologias para os espaços culturais está contribuindo
para o desenvolvimento da TI no Brasil. De acordo com um estudo sobre o Mercado Brasileiro de Software e Serviços 2016, produzido pela Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) em parceria com o IDC (International Data Corporation), o Mercado de TI, incluindo hardware, software e serviços, aumentou 9,2% no ano passado, contra os 5,6% da média global de crescimento. Ainda segundo o estudo da ABES, considerando a atuação das TICs no território brasileiro, a região Nordeste aparece na segunda posição na distribuição regional do Mercado Brasileiro de TI (10,72%), ficando atrás, apenas, da região Sudeste (60,44%).

"A participação dos investimentos em hardware dentre o total ainda é próxima a 56%, mas a participação em Software e Serviços vem crescendo ano a ano, devendo superar a participação de 50% no total, conforme o Brasil for aumentado o seu grau de maturidade", comenta o presidente do Conselho da ABES, Jorge Sukarie.

MAIS INTERATIVOS

Os museus têm a função de prestar e disponibilizar serviços dentro da esfera da responsabilidade social, enquanto recurso útil que deve estar acessível aos públicos. Sua origem está associada ao século XVII, com a exposição da coleção de John Tradescant, na Universidade de Oxford. No entanto, segundo historiadores, o primeiro museu público foi criado na França, pelo Governo Revolucionário, em 1793. No Brasil, o primeiro museu surgiu no Nordeste, mais precisamente em Pernambuco, em 1862.

Trata-se do Museu do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano. Atualmente, um dos desafios dos centros culturais é levar a cultura para todas as faixas etárias de forma que todos assimilem o conteúdo e, principalmente, que retornem ao local. Em diversos países, os museus contam com alta tecnologia que possibilitam uma experiência única a cada visitante. O Brasil acompanha este processo e, no Nordeste, não é diferente: a região vem se destacando pelos museus e centros culturais que são referência em exposições interativas.

De acordo com o engenheiro eletricista Fernando Krum, que pesquisa as interseções transdisciplinares entre arte e tecnologia, a montagem de uma exposição interativa envolve diferentes áreas, por isso é importante criar um plano de ação e entender os espaços de trabalho de cada equipe envolvida no projeto. "Isso tudo se resolve com coleguismo e respeito.

Existem muitos elementos suscetíveis a erro, por isso é importante testar exaustivamente os processos e desenvolver, planejando a minimização de falhas e procedimentos de redundância", comenta Fernando Krum.

Fernando já desenvolveu projetos relacionados à arte e tecnologia para o Museu de Arte Moderna da Bahia, Museu da Imagem e do Som de São Paulo, Galeria Pierre Verger, Biblioteca Pública do Estado da Bahia, entre outros. "O que me motiva a produzir exposições interativas são as possibilidades de uso criativo de tecnologia de forma não-convencional. Quando usamos eletricidade e programação, quebrando o seu uso tradicional, despertamos a curiosidade do público, que passa a "ver" os nossos dispositivos do cotidiano como smartphones, computadores e redes sociais, por exemplo, com um olhar mais crítico", afirma o pesquisador.

O profissional explica, ainda, que os custos de desenvolvimento são relacionados ao tempo de produção do hardware e software (que são personalizados para cada caso), além do equipamento utilizado para cada projeto.

De acordo com ele, a maior parte dos projeto que desenvolve utiliza plataformas de prototipação livre, baseadas em Arduino ou Raspberry Pi, e software livre como Linux e Ubuntu, dispensando, assim, o gasto com licenças de software. "Nas exposições que utilizam projetores multimídia, levamos em consideração o tempo de uso desse equipamento ao longo da exposição. Caso o espaço não possua o projetor, é necessário adicionar o valor de locação ou compra desse equipamento", finaliza Krum.


INSTITUTO ARQUEOLÓGICO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO PERNAMBUCANO

Um dos museus mais antigos do Brasil em funcionamento é o Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP). A visitação pública começou em 1866. Desde a sua fundação, o Instituto recebe bens culturais cedidos por particulares e entidades interessadas na conservação de peças antigas. Nos seus primeiros anos, funcionou como gabinete de curiosidades.

O acervo contribui fortemente para o entendimento da história de Pernambuco
e expõe, por exemplo: mobílias de casas urbanas e rurais características da sociedade pernambucana objetos decorativos pertencentes às antigas famílias e armamentos em desuso. Uma das peças mais importantes do acervo, segundo o próprio Instituto, é o marco divisório das capitanias de Pernambuco e Itamaracá, disposto pelo primeiro donatário, Duarte Coelho Pereira, em 1535.

A seção documental do IAHGP conta com uma grande quantidade de documentos oriundos de várias instituições públicas. No final do século XX, o Instituto recebeu a guarda de mais de cem mil processos vindos do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Esse material inclui processos criminais, de falência e invPara que a riqueza cultural encontrada no IAHGP se torne mais acessível, um importante passo foi tomado.

Em maio deste ano, o museu e a empresa Smart Networks assinaram um termo de acordo, no qual visa a instalação de um cabo de fibra ótica que deve servir como solução técnica para o arquivamento, em nuvem, de toda a documentação histórica do museu, para posterior acesso da população.

MUSEU PARQUE DO SABER DIVAL DA SILVA PITOMBO

Um planetário interativo é a atração do Museu Parque do Saber, localizado em Feira de Santana, município baiano situado a 108 quilômetros de Salvador. O museu tem o maior equipamento óptico da América Latina, um dos sete que existem no mundo: o Planetário Sky Master, da empresa alemã Carl Zeiss. A tecnologia possibilita uma visualização, em altíssima qualidade, da reprodução
do céu estrelado. 

Cerca de 16 mil pessoas, em média, visitam o espaço onde Tecnologia é palavra imperativa nas projeções astronômicas. A boa fama do museu trouxe, para o local, o pesquisador da Agência Espacial Americana (Nasa), Klaus Keil, que visitou o planetário em dezembro do ano passado. O pesquisador elogiou o planetário e disse que achou maravilhoso, além de adequado para as suas explanações. Além do pesquisador da Nasa, diretores da Google e colaboradores da Fundação Planetário do Rio de Janeiro também já estiveram no planetário.

ESPAÇO CARYBÉ DAS ARTES

Inaugurado no dia 12 de maio deste ano, o centro tecnológico está instalado no Forte de São Diogo, em Salvador. O espaço conta a vida de Carybé e expõe as obras do artista. Recursos de mídia digital e realidade virtual são alguns dos aparatos tecnológicos que ajudam a mostrar a grandeza artística de Carybé e sua importância. A diversidade do acervo, combinada com a interatividade, proporciona uma experiência particular para cada indivíduo.

O memorial conta com diversas seções interativas, que começam desde a entrada. Passeando pelo local, o visitante se depara com uma exposição virtual de acervo em telas táteis em formato de totem com banco de imagens. São nove totens cenográficos, contendo computadores com o programa de navegação do Espaço Carybé. Tal programa administra um banco de imagens dividido em eixos temáticos.

Uma das seções que mais despertam a curiosidade é a área em que se encontra um personagem de Carybé, modelado em 3D e projetado na parede. O detalhe que impressiona é que o visitante controla o personagem utilizando seu próprio corpo.

O coordenador de TI do Espaço Carybé, Lucas Barreto, explica que isso se torna possível através da programação de software que utiliza o kinect, que reconhece quando um visitante está diante da projeção, replicando
seus movimentos.

O destaque do memorial é a Realidade Virtual. Utilizando um óculos específico, o visitante consegue passear pelas ruas de Salvador e encontrar obras de Carybé. O local conta, ainda, com uma ala de pintura virtual e projeções internas e externas (vídeo-mapping).

"Utilizando a tecnologia, tornaremos acessíveis mais de 300 obras, possibilitando aos visitantes uma experiência lúdica, poética e instrutiva dando, a cada um, a possibilidade de criação de sua própria mostra, pela escolha individual dos temas apresentados. E finalmente, por meio de projeções externas que criam uma realidade fantástica, realizamos o sonho deste artista, que queria que seu trabalho pudesse ser visto livremente por quem lhe inspirou: o povo da Bahia e do mundo todo", explica a curadora do Instituto Carybé, Solange Bernabó.

ESPAÇO PIERRE VERGER DA FOTOGRAFIA BAIANA

O Espaço Pierre Verger da Fotografia Baiana, localizado no Forte de Santa Maria, em Salvador, foi inaugurado em maio deste ano e destaca o trabalho de Verger e de mais 56 fotógrafos. O espaço conta com uma exposição permanente dividida em seis eixos principais, tendo as exposições virtuais como um dos grandes diferenciais tecnológicos do espaço, que podem ser vistas através de Óculos de Realidade Virtual.

Ao entardecer, projeções (vídeo mapping) são realizadas, diariamente, em superfícies irregulares, brincando com a arquitetura do Forte, trazendo diversas obras fotográficas divididas por conjuntos temáticos.

Nos bastidores da tecnologia, duas empresas do Parque Tecnológico da Bahia se destacam na criação dos softwares: a Moovi Game Estúdios e a Virtualize Soluções Digitais Criativas, que desenvolveram programas específicos para os Espaços Pierre Verger da Fotografia Baiana e Carybé das Artes.

"Para apresentar um projeto tão amplo, num espaço tão reduzido, fizemos intenso uso de meios e recursos tecnológicos. Esse não era nosso objetivo inicial - pois achamos que a fotografia precisa ainda ser apresentada em sua forma impressa - mas a opção por essa abordagem transformou esse museu em um espaço pioneiro na Bahia. Assim, cada temática é tratada com recursos tecnológicos diferentes, alguns adotando uma via mais clássica, como projeções e telas interativas e outros empregando tecnologia de ponta, como apresentações virtuais e interatividades complexas, possibilitando ao visitante
criar a sua própria exposição, dentre as mais de 3.000 fotografias apresentadas.
Desta forma, cada visita é única", explica o curador da exposição, Alex Baradel.

MUSEU DA GENTE SERGIPANA

Um dos museus considerados como referência no quesito tecnologia. Através de um acervo interativo, o visitante pode conferir uma mostra das origens, da cultura, culinária, dos hábitos, da natureza e do folclore de Sergipe. É um espaço que usa a tecnologia como suporte, por um meio de experiências sensoriais.

Entre os destaques, estão as cabines interativas onde o visitante pode gravar o próprio cordel e repente. Para isso, foram utilizados alguns equipamentos como: Display Troll Touch Imac 27", 3.20 GHz Inter Core i3, 4GB Sonofletor Dakota Mini Array Microfone Eletreto AKG CH33 e Interface Audio M-Audio.

Em outro espaço, chamado de "Nossos ecossistemas", há uma simulação de uma viagem por Sergipe, através de um túnel com projeções de biomas e ecossistemas sergipanos. Neste caso, alguns dos principais equipamentos
utilizados foram: projetores Cassio XJ-H1750 (Figura 20) WorkStation Inter Core 2Quad 32 bits Processadores Apple MacMini 2.4GHz 320 GB Sonofletor Meyer Sound Interface de áudio USB M Audio e Adaptador Apple MiniDP VGA.

CAIS DO SERTÃO LUIZ GONZAGA

As riquezas culturais do sertão pernambucano estão retratadas em um museu que é referência em arquitetura, onde passagens da vida e obra de Luiz Gonzaga, literatura de cordel e imagens do rio São Francisco são contadas de forma interativa.

A tecnologia utilizada visa a economia de meios construtivos, o baixo custo de manutenção, a durabilidade dos materiais empregados, bem como a economia de consumo energético e de recursos dentro dos limites aceitáveis para um museu de alta tecnologia expositiva. Muitos dos equipamentos utilizados foram importados, como os projetores 4K.

Logo na entrada, o visitante se depara com duas instalações com projeções em tamanho real, exibindo artistas cantando músicas de Luiz Gonzaga. No local, jogos interativos e temáticos chamam a atenção dos visitantes. Mas, um dos espaços mais curiosos e disputados é o "Túnel do Capeta", onde câmeras captam a imagem do visitante logo na entrada do túnel e, durante o passeio, monitores mostram a imagem de forma surpreendente e acompanhada (sincronizada) por um áudio bem peculiar. A seção conta com monitores
de vídeo e caixas de som especiais. 

A CASA DO RIO VERMELHO

A casa onde morou o escritor baiano Jorge Amado com sua esposa Zélia Gattai virou um centro cultural, onde os visitantes podem conhecer um pouco mais sobre a vida e os pertences do romancista. As exposições são interativas com tecnologias que permitem uma iluminação diferenciada e ecológica, um holograma com os rostos do casal, projeções na maior parte do ambiente e,
até, um cardápio digital na cozinha. 

Na Casa do Rio Vermelho, o visitante pode assistir aos vídeos que fazem referência a Jorge Amado. O detalhe está para o telão utilizado, que roda os vídeos em Loop e tem sistema surround 5.1. Outro ponto que chama atenção são os áudios.

Pelo fato de no espaço ter muitos áudios que ajudam a contar a história do casal, para que um som não interfira no outro, um esquema especial sonoro foi instalado.

A Audium, empresa responsável pela sonorização da casa, utilizou a alta tecnologia como sonofletores do tipo Sound Bar, Focused Array e Sound Shower. "Utilizamos softwares e equipamentos bem específicos para garantir a perfeita harmonia dos sistemas de áudio, que foram projetados para atender às necessidades da museografia", explica o engenheiro José Dionísio, diretor
da divisão de áudio da Audium. 




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